Fichamento – Capítulo 1

Professor Massimo Di Felice
Aspectos Teóricos da Comunicação Digital

Fichamento – Capítulo 1

Através do teatro o autor introduz o assunto a ser tratado, que é a comunicação e participação política através de recursos técnico-comunicativos. O deus ex machina era um recurso muito utilizado no teatro grego, pois permitia intervenções divinas no enredo, assim como explicação de fatos que não eram passíveis de lógica. Hoje este recurso é muito utilizado a fim de explicar o enredo do filme e dar motivos a situações que não podem ser explicadas através da lógica.

Na segunda parte o tema da democratização é analisado historicamente. Platão era um filósofo que foi extremamente conservador ao analisar a participação do povo nas peças da Ágora. Dizia que o povo não tem cultura suficiente para julgar o que uma peça necessita e com o passar do tempo isso iria diminuir a qualidade das encenações. Isso vai representar o conceito da comunicação moderna (comunicação analógica), isto é: um grupo seleto de pessoas detem os meios de produção dessa informação, e o restante do povo recebe essa informação.

Depois de Platão a comunicação passou por três revoluções, a partir das quais possibilitou uma multiplicação das pessoas que recebiam essas informações em um tempo mais curto e a um custo cada vez mais baixo. No século V aC, no Oriente Médio, que marcou a passagem da oralidade para a escrita. Na metade do século XV, com a imprensa de Gutemberg, que democratizou o acesso aos livros. E a terceira foi a revolução contemporânea das Revoluções Francesa e Industrial, que popularizou os jornais e a cultura de massa. Entretanto essas revoluções não alteraram o paradigma da comunicação, que continuava analógica.

As previsões catastróficas de Theodor Adorno na “Dialetica do Iluminismo” que diziam que o futuro da comunicação seria uma contínua manipulação de massas – e consequente formação de ditaduras e governos totalitários, assim como culturas alienadas não vingou. A explicação para tal previsão se dá por conta do cenário desesperador em que se encontravam os Frankfurtianos: cercados de um lado pelo nazismo e de outro pelo consumismo americano – todos produtos de uma propaganda massiva.

O conceito de tecnologia analógica se baseia na comunicação feita anteriormente aos novos recursos digitais: televisão, rádio e livros se utilizam da linearidade, isto é, do sentido unidirecional da informação, para se fazer efetiva. Assim há apenas um emissor e um receptor para estas informações, que são fixos e não dialogam entre si. Já a tecnologia digital é radial: as informações são passadas em vias de duas mãos, onde não há como definir onde começa e onde termina uma mensagem. As teorias modernas caem por terra, porque neste novo paradigma não há um ponto fixo: as mudanças são constantes e pessoas estão sempre em devir. É bom deixar claro que não há, em contraposição à história comumente estudada, uma sobreposição de valores. A comunicação da pós modernidade não exclui as outras modalidades, mas sim convive entre uma reformulação e outra.