Nos meandros da presença da étnica indígena na rede digital

A autora do décimo capítulo inicia o texto com a sugestão de análise do projeto Índio Online, e acaba fazendo muito mais que isso ao analisar os processos que permeiam a incursão nas novas tecnologias de grupos historicamente marginalizados. Este projeto vai de encontro à noção de Mídias Nativas, que trata da importância de produzir novos pontos de vista e combater a visão antiga e centralizada de história, que repercutia por todas as áreas da ciência como uma verdade. Trata-se de um esforço para multiplicar vozes, tratar de valores nunca antes abordados e tornar a discussão em todos os âmbitos da comunicação mais plural.

Anteriormente ao site não havia uma organização que colocasse em contato as tribos abordadas pelo projeto. Havia sim uma estrutura, distante do contato dos índios, que falava por eles – a FUNAI. Entretanto somente a comunicação digital foi capaz de colocar “realmente” todos estes índios em contato entre si, com outros índios e o restante da sociedade. O portal Índios Online reunia uma sala de bate-papo e uma estrutura que pode dar liberdade para que os índios pudessem mostrar seus valores e seus pontos de vista. Uma estrutura de internet 2.0 foi crucial para a diferenciação deste portal de outros sites também construídos por indígenas.

Este conceito é muito importante na superação de outro paradigma, o que dizia que os índios seriam destruídos pela introdução de tecnologias em sua realidade. A própria autora define: “A tecnologia não determina a sociedade, mas se complementam e correspondem”. Nestes projetos colaborativos os índios podem afirmar sua cultura e seus valores (como é mostrado diversas vezes na entrevista que a autora faz com uma índia, via Messenger). Essa comunicação pode ser feita de diversas maneiras, definindo a cultura da virtualidade real: “um sistema em que a própria realidade é inteiramente captada, totalmente imersa em uma composição de imagens virtuais(…) no qual as aparências não apenas se encontram na tela comunicadora da experiência, mas se transformam na experiência” – diz Castells.

Então uma imersão é feita nas comunidades virtuais, um fenômeno do mundo virtual. A geração de conteúdo por usuários que se comunicam de modo imediato (por comunicadores instantâneos, por exemplo) somado aos recados e informações assincrônica (email, por exemplo) favorecem o surgimento das comunidades virtuais. Para Joshua Meyrowitz estes fenômenos acontecem por conta da reorganização dos ambientes sociais, que potencializam estas comunidades.

Os ciborgues indígenas são ilustrados no texto como um produto alternativo ao “labirinto dos dualismos”, que coloca de um lado a tecnologia e de outro a sociedade, o orgânico em oposição ao inorgânico. Estes ciborgues são sujeitos híbridos, frutos da “problematização os próprios conceitos de humano – construído social e historicamente, e a separação entre máquina e organismo, entre orgânico e inorgânico”. Os ciborgues não negam suas origens, mas a reafirmam em oposição ao restante.

Na parte final a estrutura e atuação do site Índios Online é apresentada, assim como uma entrevista com uma índia e reflexões acerca deste caso específico.