Escolhas irracionais

“If you want to know why you always buy a bigger television than you intended, or why you think it’s perfectly fine to spend a few dollars on a cup of coffee at Starbucks, or why people feel better after taking a 50-cent aspirin but continue to complain of a throbbing skull when they’re told the pill they took just cost one penny, Ariely has the answer”. – Daniel Gross, Newsweek

É bom assumir, por diversas questões psicológicas, que todos os dias nós acordamos e fazemos escolhas desde o momento que saímos da cama. Obviamente a parte ruim se dá pelo mesmo motivo: nem sempre percebemos isso e acabamos por fazer escolhas sem saber – ainda que estas escolhas venham a afetas diretamente nossas vidas – como acontece ao consumir, por exemplo.

Em mais uma valiosa palestra do TED, o pesquisador Dan Ariely trata de vários temas relacionados ao comportamento humano e apresenta alguns resultados da sua pesquisa, que culminou com o livro Predictably Irrational (Previsivelmente Irracional na edição nacional). Em sua palestra, para ilustrar seus estudos com relação ao comportamento padrão frente a tomada de decisões Dan mostra um dado muito curioso sobre a doação de órgãos em países europeus. Abaixo está um gráfico que apresenta a taxa de adesão ao programa de doações, que é feita a partir do formulário de renovação da carteira de motorista – com modelos diferentes para cada país.

organ donation in europe
organ donation in europe

A priori é muito curioso o fato de países tão próximos culturalmente partilharem de opiniões e atitudes tão distintas sobre a doação de órgãos. Dinamarca e Suécia, países muito próximos culturalmente, estão em posições opostas no gráfico. Em países notoriamente liberais, como a Holanda, apenas 28% da população aceita doar seus órgãos, ainda que seu governo envie cartas implorando pela adesão de sua população, confirma Dan.

O segredo deste fato não está em perfis culturais ou históricos, apesar de sermos viciados em análises derivadas do marxismo. O motivo pelo qual algumas nações tem uma baixa adesão está simplesmente no modo como é feito o cadastro: nos países à esquerda do gráfico o formulário para doação faz a seguinte pergunta: ‘Marque a caixa se você deseja fazer a doação de órgãos’; Enquanto que os países à direita possuem a questão: ‘Marque a caixa se você não gostaria de fazer a doação de órgãos’.

Dan explica que, apesar de ser uma escolha simples, toda a discussão que existe em torno da doação de órgãos é extensa, o que faz com que a maioria da população se deixe escolher pela opção que está default, padrão. E assim acontece com muitas das opções que fazemos no nosso dia-a-dia.

Procurei na memória algum fato corriqueiro que pudesse justificar algum tipo de comportamento deste tipo no Brasil e encontrei apenas o referente às Notas Fiscais Estaduais. Para que haja uma fiscalização maior por parte da população, o Governo obrigou que os comerciantes oferecessem a nota, que dá um abatimento em alguns impostos ao consumidor em uma porcentagem definida para cada tipo de produto. Um desconto óbvio, mas uma baixa adesão. Imagino que pelo modo default com o que nos comportamos ao consumir, assim como a falta de informação e preguiça ao aceitar as novidades.

A doação de órgãos é um dos muitos exemplos que o pesquisador apresenta para mostrar o quão enganada nossa percepção e nosso raciocínio pode ser a partir das formação que temos, principalmente na economia. Para assistir à apresentação bem humorada de Dan basta acessar este link.

Outros links:
Página de Dan Ariely no MIT;